Uma reportagem do The Information diz que a Alphabet — controladora do Google — teria feito pedido à Intel para fabricar mais de 3 milhões de unidades de processamento tensorial (TPU) em 2028, colocando a fabricante americana como segunda fonte atrás da TSMC. A mesma apuração indica que a Nvidia avalia as operações de fabricação da Intel para um possível pedido de chips de IA. Na sessão desta segunda, as ações da Intel subiram mais de 11%, chegando a US$ 110,81 em Nova York.

O movimento do mercado é interpretado como uma validação parcial da estratégia da Intel de se tornar fornecedora externa (foundry) para terceiros, uma ambição que ganhou força após o anúncio em abril da parceria com Elon Musk para o projeto Terafab no Texas. Analistas citados no material-base afirmam que atrair grandes clientes terceirizados seria um impulso significativo para transformar expectativas em receitas concretas na divisão de manufatura.

Apesar do calor imediato, há riscos relevantes. A reportagem é a fonte das negociações anunciadas e ainda não há confirmação pública de contratos fechados. Converter pedidos em produção em larga escala exige superar desafios técnicos e de capacidade — justamente o nó que leva empresas como Google e Nvidia a buscar alternativas à TSMC, cuja produção enfrenta restrições. A volatilidade já se viu nos últimos meses: as ações da Intel chegaram a recorde de US$ 132,75 em 11 de maio antes de recuarem por realização de lucros.

Se os acordos se materializarem, o impacto vai além da cotação: pode alterar dinâmica competitiva do setor de semicondutores e reduzir pressão sobre a TSMC no curto prazo, além de acelerar a entrada da Intel como fornecedora de IA. Por ora, porém, o mercado reage a uma expectativa revalidadora, não a um contrato definitivamente celebrado — e a empresa precisará traduzir boa imprensa em resultados industriais e financeiros para convencer investidores de que a mudança de rumo é sustentável.