A Intel divulgou previsão para o terceiro trimestre bem acima do consenso do mercado, com receita entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões — ante US$ 15,1 bilhões esperados pelos analistas — e lucro ajustado de US$ 0,38 por ação versus US$ 0,27 da previsão média. O anúncio fez as ações subirem mais de 5% e serviu de base para a empresa aumentar seu plano de investimentos.

No segundo trimestre, a companhia já havia mostrado recuperação: vendas de US$ 16,13 bilhões, lucro ajustado de US$ 0,42 por ação e margem bruta ajustada de 41,8%, acima das estimativas. A gestão afirmou que a demanda por CPUs de data center e chips especializados (XPUs) e contratos de longo prazo — alguns com duração de três a cinco anos — deram maior previsibilidade à receita.

O CEO Lip-Bu Tan disse que os desdobramentos recentes permitiram à Intel se comprometer “totalmente” com a produção em grande volume do processo 14A em 2028, tecnologia que no ano passado correu risco de ser abandonada por falta de clientes. A unidade de fundição também confirmou a conquista da Tesla para o 14A, e o debate público sobre acordos com grandes clientes voltou a ganhar destaque após menção do presidente dos EUA sobre negociações com a Apple — notícia não confirmada pelas empresas.

O CFO David Zinsner elevou a previsão de capex para este ano de US$ 18 bilhões para US$ 20 bilhões e avisou que os desembolsos devem “aumentar significativamente” no ano seguinte. A empresa tem cerca de US$ 30 bilhões em caixa e uma linha de crédito de US$ 10 bilhões, e não descartou emissão de ações. A decisão recupera um projeto estratégico, mas traz pressão financeira e exige que a Intel entregue resultados concretos para justificar o maior risco e manter clientes e investidores alinhados.