A Intel anunciou nesta quinta-feira lucro por ação ajustado de US$ 0,29 no primeiro trimestre de 2026, acima da expectativa média da FactSet, de US$ 0,02. A receita subiu 7% na comparação anual, para US$ 13,6 bilhões — também acima da previsão de US$ 12,4 bilhões do mercado.
Apesar do desempenho ajustado, o resultado líquido mostrou prejuízo de US$ 3,73 bilhões no trimestre, contra perda de US$ 800 milhões um ano antes. A discrepância entre lucro ajustado e resultado contábil chama atenção e sugere influência de itens não operacionais ou ajustes que reduziram o lucro líquido consolidado.
Para o segundo trimestre, a Intel projetou receita entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões e lucro por ação ajustado de US$ 0,08. A estimativa de receita fica acima da projeção média da FactSet (US$ 13,07 bilhões), mas a previsão de EPS ajustado é ligeiramente inferior ao consenso (US$ 0,09), o que restringe clareza sobre ritmo de recuperação da lucratividade.
O mercado reagiu positivamente ao balanço: as ações subiram cerca de 16,7% no after-hours em Nova York. Ainda assim, a ampliação do prejuízo e a guidance contida colocam sob pressão a narrativa de retorno sustentável à rentabilidade, exigindo explicações e resultados consistentes nos próximos trimestres.
Para o setor de semicondutores, os números indicam demanda resiliente sobre receita, mas também lembram que ganhos operacionais podem ser corroídos por ajustes e custos pontuais. Em termos práticos, a Intel precisa transformar beats trimestrais em recuperação estrutural para convencer investidores e reduzir o prêmio de risco que atualmente pesa sobre suas ações.