O Inter consolida um ecossistema amplo de produtos digitais — conta corrente em várias modalidades, cartões sem anuidade, ofertas para crianças e empresas, contas em dólar, linhas de crédito, investimentos com assistente de IA e seguros — e viu esse conjunto refletir em resultados operacionais sólidos no segundo trimestre de 2026. A instituição, de capital aberto, informou aumento de 34% do lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior e reportou 26,4 milhões de clientes ativos.

O modelo de baixo custo é um traço definidor: segundo o CEO Alexandre Riccio, o custo por cliente ativo gira em torno de R$ 10, sustentado por tecnologias que reduzem despesas em comparação ao sistema bancário tradicional. A estratégia também rendeu reconhecimento externo, com prêmios e selos como Smart Customer, Consumidor Moderno, RA1000 do Reclame Aqui e o selo Empresa Pró-Ética da CGU.

No front do crédito, a carteira cresceu 29% ano a ano — um motor de receita que ajuda a explicar o desempenho, mas que exige atenção. O Inter oferece desde empréstimos pessoais até crédito imobiliário, com ferramentas como o 'Meu Crédito Inter' para monitorar score em tempo real e orientar usuários sobre elegibilidade. A oferta digital facilita contratações e simulações, reduzindo atrito, mas amplia a necessidade de mantê‑lo seletivo e saudável.

A plataforma de investimentos é outro pilar: produtos de renda fixa e variável e uma assistente automatizada buscam atender perfis diferentes, do iniciante ao investidor arrojado. Para pessoas jurídicas, o banco segmenta serviços por tamanho e necessidade (Digital, Pro, Enterprise e Atacado), mantendo isenção de mensalidade em contas básicas. Cartões sem taxa e atendimento 24 horas reforçam a proposta de atrair usuários sem cobrança direta.

A leitura política-econômica é dupla: os números confirmam capacidade de escala e aceitação do produto, mas a combinação de crescimento acelerado do crédito e de um modelo que privilegia tarifas zero coloca o Inter diante do desafio de transformar base de clientes ativos em receita recorrente sustentável, sem abrir mão da governança de risco. Em suma: consolidação em curso, mas com espaço claro para teste de disciplina financeira e de qualidade de carteira.