O Inter promoveu em Belo Horizonte um encontro direcionado a clientes Pessoa Jurídica para orientar empresas sobre a transição para a duplicata escritural, norma prevista pelo Banco Central com entrada gradual a partir de junho de 2026. A instituição, em parceria com a provedora Nuclea, apresentou conceitos, quadro regulatório e as implicações práticas da Resolução 339/2023.
Segundo a apresentação, atualmente apenas cerca de 20% do volume emitido em duplicatas é utilizado como lastro em operações de crédito — um índice baixo que a nova regra busca reverter. Tornar o registro eletrônico obrigatório para antecipações ou garantias deverá aumentar a transparência, reduzir riscos de fraude e facilitar que diferentes instituições operem sobre o mesmo ativo, potencialmente ampliando oferta e liquidez.
Para o Inter, o esforço é também uma estratégia comercial: posicionar-se como parceiro das empresas desde a fase inicial de produção assistida e replicar o modelo em outras praças, como São Paulo. A iniciativa sinaliza oportunidade de expansão de mercado para bancos e provedores de infraestrutura, mas impõe custos de adaptação tecnológica, integração de sistemas e capacitação de equipes por parte das empresas.
Do ponto de vista econômico, a digitalização da duplicata pode reduzir fricções e baratear crédito para empresas que conseguirem se adaptar rapidamente. Politicamente e institucionalmente, a medida fortalece o arcabouço regulatório do mercado de crédito comercial; o desafio será acompanhar a implementação para que ganhos de liquidez não fiquem concentrados em agentes já integrados digitalmente, ampliando assim desigualdades de acesso ao financiamento.