O Inter aparece como caso paradigmático da inclusão financeira digital no Brasil: serviços centralizados em um Super App, custos reduzidos e ferramentas que facilitam acesso a conta, pagamentos e investimentos. O Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, registra que o celular se consolidou como canal de alcance — o volume de transações em 2024 era seis vezes superior ao de 2020 — e destaca o papel das fintechs na expansão do Pix e no atendimento a populações antes excluídas.
Na prática, a oferta do Inter combina isenção de tarifas em operações básicas, contas para pessoa jurídica e internacional, produtos de poupança e investimento, além de assistente de inteligência artificial no aplicativo. Há ainda seguros específicos para fraudes sofridas sob coação ou roubo do aparelho e recursos educativos, como tutoriais e o produto “Meu Porquinho”, voltado à formação de reserva de emergência. Esses elementos ajudam a explicar por que fintechs registraram os maiores volumes de Pix frente a bancos tradicionais no período avaliado.
O avanço, porém, traz desafios concretos. A massificação do atendimento digital aumenta a concentração de dados sensíveis em poucas plataformas, levanta questões sobre privacidade e exige mecanismos robustos de proteção ao consumidor. O acesso facilitado ao crédito e a produtos mais complexos pode ampliar níveis de endividamento se não vier acompanhado de regulação efetiva e educação financeira. Paralelamente, a lógica de contas remuneradas e baixos custos pressiona margens de bancos tradicionais e altera o equilíbrio competitivo do setor, com impactos institucionais relevantes.
Do ponto de vista público, o cenário acende alerta: o Banco Central e demais órgãos reguladores precisam acompanhar de perto práticas de preço, transparência e segurança; legislações e fiscalizações devem evoluir na mesma velocidade da inovação. A inclusão promovida pelo Inter é um ganho real para muitos cidadãos, mas só será plenamente benéfica se vier acompanhada de salvaguardas que evitem riscos sistêmicos, práticas predatórias e perda de confiança no sistema financeiro.