O Inter apresentou em evento para investidores na Nasdaq a nova diretriz estratégica batizada de 'Rule of 50'. Inspirada na tradicional 'Rule of 40' do universo de tecnologia, a proposta eleva a soma entre taxa de crescimento da receita e ROE para 50% como principal norte para os próximos três anos.

Segundo o CEO João Vitor Menin, a execução vai priorizar aumento da penetração de crédito, expansão da base de depósitos e mais clientes usando o Inter como instituição financeira principal. A companhia aposta em três pilares para isso: o Super App, o cruzamento massivo de dados gerados pela plataforma e a assistente de inteligência artificial Seven, que promete interações mais proativas e ofertas personalizadas.

O anúncio ocorre em um contexto macro exigente, com a Selic elevada e volatilidade internacional. O diretor financeiro do grupo vê oportunidades nesses movimentos, mas o movimento para priorizar rentabilidade traz desafios operacionais: ampliar crédito em cenário de juros altos requer controle rígido de risco e pode pressionar margens se a competição intensificar a oferta.

Editorialmente, a 'Rule of 50' é um sinal claro ao mercado de que o Inter muda a ênfase da escala pura para equilíbrio entre expansão e lucro. Se bem executada, pode melhorar a percepção de governança e suportar valorização; se não, expõe a empresa a risco de deterioração de ativos e desapontamento de investidores. Nos próximos trimestres, indicadores como ROE, crescimento de depósitos, evolução da carteira de crédito e níveis de inadimplência serão os parâmetros decisivos para avaliar se a meta de 50% é realista.