Brasília (DF) – A interoperabilidade de bandeiras prevista no decreto que moderniza o PAT, editado em novembro de 2025, passa a valer a partir deste sábado (7). Em teoria, a mudança deveria permitir que todos os terminais de cartão aceitem pagamentos com vales-refeição e vales-alimentação.
No entanto, empresas do setor relatam incerteza sobre a operacionalização imediata. "O mercado teve um ano de adaptação, [...] mas na prática, o que a gente tem acompanhado é que o mercado parece não estar pronto para essa mudança", afirma Any Genovez, diretora jurídica da Swile Brasil. Ela diz também que "A gente tem que ver [...] se isso já vai estar em vigor. Tudo indica que não".
O mercado teve um ano de adaptação, [...] mas na prática, o que a gente tem acompanhado é que o mercado parece não estar pronto para essa mudança
Especialistas destacam que a interoperabilidade é apenas uma peça de um conjunto maior. Arthur Gouvea de Freitas, do iFood Benefícios, compara a medida à "cereja do bolo" que depende da transformação do modelo do chamado arranjo fechado para o regime aberto — mudança que, segundo o setor, ainda não avançou como previsto.
Relatórios e empresas de benefícios apontam ainda para a falha na definição de padrões de conexão, regras de autorização, liquidação e responsabilidades entre operadoras. "Os cartões não passarão a ser aceitos automaticamente em qualquer estabelecimento [...]. Isso porque [...] a interoperabilidade plena depende de definições técnicas e operacionais que ainda não foram estabelecidas. A abertura dos arranjos de pagamento, por si só, não garante a comunicação entre redes de diferentes operadoras. Para que um cartão seja aceito na rede de outro arranjo, é necessário definir padrões de conexão, regras de autorização e liquidação das transações, remuneração entre participantes e responsabilidades em casos de fraude ou inconsistências. Sem essas diretrizes, [...] não há um modelo comum que permita implementar a interoperabilidade de forma plena, segura e isonômica."
Além dos entraves técnicos, dados da pesquisa Ipsos-Ipec de 20 de agosto de 2026 apontam que as taxas cobradas dos restaurantes por operadoras de VR e VA subiram de 5,19% para 6,18% em um ano. Representantes ouvidos reconhecem o ganho de escolha para trabalhadores caso o decreto seja de fato implementado, mas alertam que, sem a mudança integral de regras e padrões, a aceitação ampla nos estabelecimentos tende a ficar restrita.
A gente tem que ver [...] se isso já vai estar em vigor. Tudo indica que não