ASSUNÇÃO (Paraguai) — O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank na terça-feira (3) depois de concluir que a solvência da instituição estava muito abaixo do mínimo exigido. A medida levou ao bloqueio das contas de cerca de 3 milhões de clientes — quase metade dos 6,5 milhões de habitantes do país — e ao congelamento de ativos e passivos da instituição.

O banco digital administrava cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos e tinha crescimento acelerado nos últimos anos. Autoridades apontaram empréstimos volumosos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez como um dos fatores que motivaram a fiscalização. Investidores reagiram negativamente: títulos do Ueno com vencimento em 2031 e parte da dívida soberana paraguaia sofreram desvalorização.

não do sistema financeiro nacional

A crise provocou falhas em aplicativos, filas em agências e preocupação entre aposentados, que representam parcela relevante da base de clientes. A Superintendência de Bancos anunciou que nomeará auditores para avaliar o patrimônio do Ueno. A Associação de Bancos (Asoban) afirmou que as instituições estão atendendo o volume de clientes que migram suas contas e que o sistema segue "operando normalmente".

A repercussão política foi imediata. Parlamentares apresentaram pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e seu vice, e 35 deputados formalizaram a ação. Peña havia solicitado a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo; na quinta-feira (5), o próprio presidente anunciou sua saída do cargo. O Ministério Público pediu investigação criminal, determinou prisão de oito pessoas ligadas ao banco e imputou 27 suspeitos por supostas irregularidades.

Tanto Peña quanto o Banco Central defenderam que o caso era "não do sistema financeiro nacional" e afirmaram que os responsáveis "devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios". Analistas e autoridades advertem que o episódio ameaça a reputação que tornou o Paraguai atrativo para capitais estrangeiros, especialmente vindos do Brasil, em um momento em que organismos como o Banco Mundial projetam crescimento de 4,7% do PIB para 2026.

devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios