O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe), que acompanha a inflação na cidade de São Paulo, registrou alta de 0,45% na primeira quadrissemana de junho, repetindo a variação de maio, segundo dados divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A leitura inicial mantém ritmo elevado e mostra persistência nas pressões sobre os preços ao consumidor.

Na comparação entre as leituras iniciais, quatro dos sete grupos ampliaram a pressão: Habitação subiu de 0,53% para 0,55%; Alimentação avançou de 1,14% para 1,15%; Saúde passou de 0,05% para 0,12%; e Vestuário acelerou de 0,18% para 0,37%. Transportes segue em deflação, mas com recuo menor (-0,65% para -0,60%), e Educação ficou praticamente estável (-0,03% para -0,01%). Despesas Pessoais desaceleraram de 0,31% para 0,12%.

O quadro sinaliza que itens essenciais — sobretudo alimentação e habitação — continuam puxando a inflação nas primeiras semanas do mês, reduzindo a capacidade de consumo das famílias. A repetição da variação de maio indica que não houve alívio imediato nos preços e que a volatilidade setorial persiste, com impacto direto no orçamento doméstico, especialmente para rendas mais apertadas.

Para o governo e para agentes econômicos, a leitura acende atenção: manter a inflação em patamar elevado por mais tempo eleva custo social e político, ao mesmo tempo em que demanda monitoramento das medidas de controle de preços e de políticas públicas voltadas à oferta. Em curto prazo, a velha máxima se confirma — inflação continuada significa perda de poder de compra.