O IPCA-15 de junho avançou 0,41%, abaixo dos 0,62% de maio, segundo o IBGE. Apesar da desaceleração mensal, a inflação acumulada em 12 meses subiu a 4,80% — superior aos 4,64% do período anterior — e mantém a pressão sobre a política monetária no curtíssimo prazo.
Dois grupos puxaram cerca de 66% do índice: Alimentação e Bebidas (0,74%) e Habitação (0,72%). Na habitação, a energia elétrica teve o maior impacto, com alta de 2,04%. Na alimentação no domicílio a inflação passou de 1,73% em maio para 0,87% em junho, com disparos em batata-inglesa (29,42%) e tomate (17,27%) e recuos em café moído (-3,69%) e frutas (-0,96%).
Transportes exibiram leve deflação (-0,03%), reflexo da queda nos combustíveis (-1,22%) apesar do salto nas passagens aéreas (7,24%). O relatório ressalta que fatores externos — como a escalada de preços do petróleo diante do conflito no Oriente Médio, ainda que haja um acordo preliminar entre EUA e Irã — e riscos climáticos (El Niño) seguem influenciando os preços.
O corte de 0,25 ponto da Selic para 14,25% na última reunião sinaliza abertura para alívio monetário, mas a ata do Banco Central deixou claro que o ciclo de afrouxamento será intercalado por pausas. Economistas avaliam que o dado reforça a necessidade de cautela: a desinflação é real, porém lenta, e a trajetória de novos cortes dependerá da evolução dos núcleos e do cenário internacional.