O IPCA-15, prévia da inflação oficial divulgada pelo IBGE, subiu 0,89% em abril, mais que o dobro do registrado em março (0,44%). No acumulado do ano o indicador avança 2,39% e, nos últimos 12 meses, chega a 4,37% — acima dos 3,90% observados no período imediatamente anterior. A leitura reforça uma aceleração recente que já vinha sendo sinalizada por preços administrados e itens sensíveis ao orçamento familiar.

Entre os grupos que puxaram a alta estão Alimentação e Bebidas, com variação de 1,46%, impulsionada pela alimentação no domicílio, que acelerou de 1,10% em março para 1,77% em abril. O grupo Transportes avançou 1,34% e teve o segundo maior impacto no índice, com os combustíveis passando de queda de 0,03% em março para alta de 6,06% em abril. A gasolina, com alta de 6,23%, foi o item de maior influência individual, respondendo por 0,32 ponto percentual do IPCA-15 do mês.

O resultado tem efeitos práticos: pressiona o consumo das famílias e corrói folgas no orçamento, especialmente dos domicílios de menor renda que gastam parcela maior com alimentação e transporte. No plano macro, a aceleração combina risco de contágio para outros preços e complica a narrativa de controle inflacionário — um dado que acende alerta para a política econômica e para a autoridade monetária, sem determinar decisões, mas elevando o nível de atenção sobre a evolução dos preços nos próximos meses.

A prévia do IBGE não é a inflação final do mês, mas funciona como termômetro. A continuidade da alta em alimentos e combustíveis nas próximas leituras pode ampliar a pressão sobre o custo de vida e forçar ajustes de estratégia por parte do governo e do mercado. Replicar ou reverter esse avanço dependerá de fatores internos e externos, e os próximos indicadores serão determinantes para medir a intensidade do choque inflacionário.