O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% em abril, informou o IBGE nesta terça-feira. Trata‑se do maior resultado para o mês desde 2022, quando o índice avançou 1,06%. No acumulado de 12 meses, a taxa acelerou pelo segundo mês seguido, passando de 4,14% em março para 4,39% em abril.
O comportamento foi puxado, em parte, pelo grupo Saúde e cuidados pessoais, que saiu de alta de 0,42% em março para 1,16% em abril e contribuiu com 0,16 ponto porcentual para a variação mensal. Dentro desse grupo, os produtos farmacêuticos subiram 1,77% depois da autorização de reajustes de preços de medicamentos de até 3,81% a partir de 1º de abril. Artigos de higiene pessoal avançaram 1,57%, com perfumes registrando alta de 1,94%.
O salto do IPCA em abril tem efeito direto no bolso das famílias e reduz o ganho real de renda, especialmente para quem já enfrenta pressão nos gastos essenciais. Para a equipe econômica e o Banco Central, o resultado complica a narrativa de contenção da inflação ao mesmo tempo em que traz sinal de que choques setoriais — como reajuste em remédios — podem contaminar a trajetória de preços.
No plano político e institucional, a aceleração da inflação amplia a necessidade de resposta coordenada: além de acompanhamento pelo BC, o movimento tende a aumentar a pressão por medidas paliativas ou pedidos de revisão de preços administrados. Em termos práticos, o dado reforça a importância de vigilância sobre preços sensíveis às políticas públicas e sobre o impacto das decisões regulatórias no custo de vida.