O IPCA registrou alta de 0,16% em junho, abaixo da projeção média do mercado (0,31%) e marcando a leitura mensal mais baixa desde outubro do ano passado. No acumulado de 12 meses o índice permanece acima da meta do Banco Central, em 4,64%. O resultado reflete, em grande parte, a desaceleração nos preços de alimentos e a redução nos combustíveis, enquanto o setor de energia surpreendeu com alta maior que a esperada.

Em análise ao Agora CNN, o professor Samuel Barros (Ibmec-RJ) aponta que a queda nos itens de alimentação foi o principal peso negativo do mês e que o arrefecimento do confronto no Golfo Pérsico tem dado espaço para recuo nos preços dos combustíveis. Por outro lado, ele ressalta a pressão vinda da energia e adverte que a dinâmica do cenário externo — inclusive a retomada de ataques entre Estados Unidos e Irã — pode reverter ganhos ao impactar custos logísticos e, via combustíveis, a inflação brasileira.

As implicações para a política monetária são imediatas. O mercado já incorpora a possibilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, que dependerá em grande parte do IPCA‑15 que sai antes da reunião do Copom. Barros se declara mais conservador nas expectativas para o fechamento do ano, apontando uma Selic na casa de 13,75% a 14%, e lembra que qualquer decisão do Comitê passa também pelo quadro fiscal e pelo comportamento do mercado externo.

Há ainda um componente fiscal e político no horizonte: a revisão de subvenções e subsídios aos combustíveis — prevista e desejada por boa parte do mercado, segundo o especialista — tende a reduzir o impacto inflacionário em torno de 0,1% a 0,2%, além de aliviar o peso fiscal. Mas a medida exige decisão política e pode ter custo eleitoral no curto prazo. Em síntese, o quadro aponta para um alívio inflacionário condicional: dependente de manutenção do comportamento favorável de alimentos e combustíveis, de estabilidade externa e de sinais claros de responsabilidade fiscal.