O IPCA de junho subiu 0,16%, ante 0,58% em maio, resultado que ficou pela metade da expectativa do mercado e surpreendeu analistas. O recuo veio sobretudo da reversão no grupo alimentação e bebidas, que passou de alta de 1,33% em maio para queda de 0,24% no mês seguinte — movimento que explica boa parte do alívio no índice.

Segundo especialistas, um fator determinante foi a redução do custo do frete. Itens de reposição frequente, como frutas e hortaliças, são sensíveis aos preços dos combustíveis e ao custo do transporte; com o barril estabilizado entre US$ 70 e US$ 80 e o efeito de dissipação parcial do choque internacional, os fretes pressionaram menos as cestas básicas.

Do lado da demanda, o núcleo de serviços desacelerou levemente (de 0,4% para 0,34% no mês), e o acumulado em 12 meses passou de 6% para 5,9%. É um alívio pontual para a curva de juros, mas ainda longe de eliminar a preocupação do Banco Central com pressões estruturais em serviços e renda.

O cenário, porém, permanece sujeito a riscos. A energia já adicionou 0,06 ponto percentual ao IPCA em junho, e a perspectiva de um El Niño mais forte pode elevar a bandeira tarifária e apertar preços a partir do segundo semestre. Além disso, embora o petróleo esteja abaixo dos picos anteriores, qualquer nova alta pode recomprimir o frete e reverter ganhos recentes nos alimentos. Em suma: o resultado dá fôlego imediato à política monetária e ao governo, mas o alívio é frágil e exige vigilância.