O IPCA subiu 0,16% em junho, segundo o IBGE, resultado inferior à mediana das projeções (0,31%) e a menor leitura mensal desde outubro. Em 12 meses, a inflação passou a 4,64%, ante 4,72% em maio — ainda acima do teto da banda da meta (3,0% ±1,5 pp). O número alivia pressões imediatas, mas mantém a inflação fora do limite que o governo diz perseguir.

O grupo Alimentos e Bebidas registrou queda de 0,24%, com alimentação no domicílio caindo 0,39%. Produtos como café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%) ajudaram a frear o índice, enquanto itens pontuais como feijão-carioca (alta de 8,31%) e batata-inglesa (3,57%) ainda pressionaram parcelas da cesta.

Habitação foi o segmento com maior variação e impacto, subindo 0,63% — embora apresente desaceleração ante maio. Os preços da energia elétrica seguiram em alta, porém com menor intensidade (1,53% em junho, de 3,67% em maio). As contas continuaram sob bandeira amarela, com custo adicional informado pelo IBGE para cada 100 kWh.

Transportes passaram de queda em maio para alta de 0,17% em junho, influenciados por avanço de 7,12% nas passagens aéreas, enquanto os combustíveis recuaram 0,48% (etanol -3,09%, óleo diesel -1,19%, gás veicular -0,19% e gasolina -0,12%). A inflação de serviços moderou para 0,34% no mês, com difusão do índice caindo a 54% ante 65% anteriormente.

Do ponto de vista das políticas públicas, o resultado traz interpretação dupla: alívio pontual, mas persistência de risco. A inflação anual ainda está acima do teto da banda de meta, o que complica o argumento por cortes mais agressivos de juros. O Banco Central já cortou a Selic em 0,25 p.p. para 14,25% e sinaliza escolhas entre pausas e retomadas. No plano fiscal, o governo adiou a decisão sobre eventual subvenção à gasolina para a semana seguinte, segundo o ministro da Fazenda, diante de novos atritos geopolíticos — sinal de que a agenda de mitigação de preços segue sujeita a choques externos e a necessidade de calibragem política.