A Receita Federal recebeu mais de 11,9 milhões de declarações do Imposto de Renda em menos de um mês de campanha — cerca de 25% da meta de 44 milhões, segundo dados até terça (14). Entregar dentro do prazo, porém, não garante que o contribuinte esteja livre de problemas: inconsistências nos dados continuam a empurrar pessoas para a malha fina e a comprometer a regularidade do CPF.

Especialistas alertam que a maior parte dos erros é evitável. Para Pedro Bresciani, sócio do Utumi Advogados, 95% das falhas decorrem da falta de confirmação dos números nos informes de rendimentos. A declaração pré‑preenchida é útil, mas pode apresentar valores duplicados ou ausência de informações essenciais para o cruzamento; a orientação é fazer um espelho entre os informes e o que consta no sistema e guardar comprovantes de renda e despesas.

As consequências são concretas: além da possibilidade de multa de até 20% do imposto devido, erros podem gerar CPF com situação irregular e o atraso da restituição. A correção passa pela declaração retificadora — como salienta o advogado tributário Renato de Andrade Bueno, basta enviar nova declaração com todas as informações corretas. Há prazo até 29 de maio para ajustar informes e reduzir o risco de malha fina e impacto na restituição, mas a retificação pode ser apresentada mesmo em anos posteriores.

Do ponto de vista público e econômico, a repetição desses problemas revela custo real para o contribuinte e para a administração: aumento de demandas administrativas, risco de penalização e efeitos sobre o fluxo de caixa das famílias. O cenário exige mais clareza na orientação aos contribuintes e maior atenção da própria Receita para minimizar retrabalhos e reduzir o ônus sobre quem já enfrenta um processo de prestação de contas complexo.