O Imposto de Renda 2026 completa um mês com mais de 11 milhões de declarações entregues. Cerca de 76% desses contribuintes têm direito à restituição, que a Receita Federal começará a pagar a partir de 29 de maio. As restituições seguem a ordem de envio da declaração: quem entrega primeiro recebe primeiro, segundo o cronograma do Fisco.

A correção dos valores acompanha a taxa Selic, hoje em 14,75%. Segundo Eduardo Rodrigues, advogado tributarista, isso torna atraente, em termos de rendimento, postergar a entrega: lotes tardios recebem atualização pela Selic isenta de Imposto de Renda, o que pode superar retornos de aplicações conservadoras. O primeiro lote sai em 29 de maio; a Receita estima que cerca de 80% dos beneficiários receberão até o fim de junho.

Especialistas, porém, desencorajam a manobra. Leandro Uemura alerta para o risco de esquecer documentos, enfrentar congestionamento no sistema e, sobretudo, cair na malha fina em razão de divergências nos cruzamentos de dados — exposição que pode gerar multas a partir de R$ 165,74. O suposto ganho financeiro convive com a possibilidade real de perda maior por erros evitáveis.

Há ainda efeitos práticos: a opção coletiva por postergar aumenta pressão sobre a infraestrutura da Receita e favorece contribuintes com folga de caixa — uma distorção que beneficia quem pode adiar, enquanto o governo retém recursos por mais tempo. Do ponto de vista do cidadão, a recomendação técnica permanece: antecipar a entrega é a forma mais segura de evitar problemas, mesmo num cenário de juros altos.