O governo do Irã anunciou que, a partir de terça-feira (8), aumentará o preço da gasolina para consumidores que ultrapassarem 110 litros por mês. A porta-voz Fatemeh Mohajerani informou que a terceira cota subirá para 100 mil riais por litro — cerca de 4 centavos de dólar segundo a taxa do mercado livre — enquanto as duas primeiras faixas que somam 110 litros permanecem inalteradas.
A medida atinge apenas quem consome além da cota subsidiada. Hoje, motoristas podem comprar até 60 litros a 15 mil riais o litro e mais 50 litros a 30 mil riais; a elevação da terceira faixa é uma tentativa explícita de desestimular o consumo excessivo e reduzir o custo dos subsídios diretos ao combustível.
O ajuste ocorre em um cenário de pressão fiscal agravada por guerras regionais e sanções econômicas dos EUA, fatores citados pelo governo como justificativa. O Irã, membro da OPEP, já havia promovido um aumento parcial em dezembro para a maioria dos consumidores, numa tentativa sequencial de controlar a crescente demanda por combustível subsidiado.
Politicamente, a correção é sensível: autoridades discutiram e adiaram o anúncio por receio de novos protestos — referência direta às manifestações de 2019 provocadas por aumento de preços. Mesmo limitado a grandes usuários, o reajuste levanta dúvidas sobre a capacidade do Executivo de calibrar medidas de ajuste sem provocar reação social e desgaste político.
Na prática, o movimento sinaliza duas prioridades do governo: reduzir o ônus fiscal dos subsídios e juntar margem para enfrentar choques externos. Resta ver se a mudança conseguirá reduzir consumo conforme o previsto ou se criará novo ponto de tensão num cenário econômico já volátil.