Analistas consultados após o início do bloqueio dos Estados Unidos às entradas e saídas de navios nos portos iranianos estimam que Teerã pode sustentar as exportações por um período limitado antes de ser forçado a reduzir a produção. Com cerca de 3,5 milhões de barris por dia (bpd) de produção atual e refinarias domésticas que processam cerca de 2 milhões bpd, o país depende de saídas marítimas para escoar o excedente.

Há ampla divergência sobre a capacidade real de armazenamento em terra. A consultoria FGE NextantECA aponta cerca de 90 milhões de barris disponíveis — o que permitiria manter a produção por cerca de dois meses, estendendo-se a três meses com corte modesto de 500 mil bpd. Já a Energy Aspects, com base em dados da Kayrros, estima apenas 30 milhões de barris úteis, cenário que reduziria o prazo para cerca de 16 dias com níveis de exportação em 1,8 milhão bpd. Histórico de estoques sugere que o teto prático é inferior à capacidade nominal.

A paralisação iraniana, caso ocorra, se somaria aos mais de 12 milhões de bpd já fora do mercado por conflitos regionais, comprimindo oferta global e pressionando preços. Além do efeito direto nas cotações, o bloqueio sobre navios — houve relatos de interceptações e impedimentos a embarcações ligadas ao Irã — adiciona prêmio de risco logístico e geopolítico, com provável repercussão imediata em mercados de energia e decisões de produtores e refinadores.

No front operacional, autoridades americanas relatam ações contra navios sancionados e movimentações perto do Estreito de Ormuz; a possibilidade de uso de petroleiros como armazenamento flutuante pode atrasar, mas não eliminar, a necessidade de cortes se o bloqueio persistir. Para governos e operadores, o cenário impõe risco de volatilidade e eleva a conta política e econômica de uma escalada prolongada.