O governo iraniano reconheceu publicamente a dimensão do impacto econômico causado pelas sanções dos Estados Unidos e pelo bloqueio naval: autoridades afirmam que o comércio exterior caiu cerca de um terço, cifra que o presidente citou como próxima de 35%. A inflação anual, segundo dados oficiais reproduzidos pela mídia estatal, alcançou 66%, tendência que pressiona a renda e o custo de vida interno.

Em nota, o Executivo definiu o enfrentamento das pressões econômicas como prioridade, mencionando controle da inflação, gestão de mercados, criação de empregos e direcionamento de investimentos para a produção nacional, além da intenção de reduzir gradualmente a dependência do dólar. O líder supremo, por sua vez, pediu medidas para atacar problemas como desemprego e gestão de preços, em apelo que sinaliza preocupação com desgaste social e político.

Enquanto admite perdas, Teerã mantém postura de resistência: reafirma controle sobre o Estreito de Ormuz e a continuidade da diplomacia, usando a posição estratégica como alavanca sobre mercados globais de energia. Washington, por seu lado, ampliou sanções — incluindo ações contra o Banque Misr do Egito e medidas envolvendo entidades ligadas ao Bank Melli —, mas evitou punir diretamente parceiros-chave como China e Índia, para não gerar repercussões econômicas globais.

A combinação de pressão externa e sinais internos de fragilidade complica a capacidade do Irã de recuperação rápida. O presidente pediu ainda a retomada de um memorando de entendimento assinado em 17 de junho, que permitiu vendas temporárias de petróleo, como forma de aliviar restrições. Para analistas, o quadro aponta para aumento do custo econômico e político, exigindo decisões que equilibrem resistência geoestratégica e urgência na estabilização da economia.