O Ministério do Petróleo do Iraque anunciou que a Opep começou a restaurar gradualmente as cotas de produção do país para níveis anteriores à guerra, uma mudança que, segundo o próprio ministério, deve fortalecer a capacidade de extração e apoiar a recuperação do setor petrolífero iraquiano. Em comunicado estatal, Bagdá afirmou também apoiar uma reavaliação das cotas para que refletissem melhor as condições econômicas e de segurança dos Estados-membros.
A notícia surge em meio a relatos da Reuters de que o Iraque chegou a avaliar a hipótese de deixar a Opep caso não obtivesse aumento significativo de produção — perspectiva que, se confirmada, representaria um golpe à coesão do grupo, já abalada pela saída recente dos Emirados Árabes Unidos. O ministério, contudo, fez questão de negar que a posição oficial fosse abandonar a organização, e afirmou que o primeiro-ministro não discutiu esse caminho.
O quadro é especialmente sensível para Bagdá: o país depende do petróleo para a maior parte de sua receita, que foi fortemente comprimida após a guerra com o Irã, que bloqueou efetivamente exportações pelo Estreito de Ormuz. A cota oficial do Iraque para julho é de 4,378 milhões de barris por dia, mas a produção real permanece significativamente abaixo desse patamar devido às interrupções logísticas e de segurança. Assim, a restauração formal das cotas não garante, por si só, um aumento imediato nas receitas.
Do ponto de vista político e econômico, a movimentação expõe tensões e riscos. A reivindicação por revisões de cota acende alerta sobre a pressão que Bagdá enfrenta para recuperar receitas e estabilidade fiscal; por outro lado, os sinais contraditórios — relatos de crise de relação com a Opep e a negação oficial — complicam a narrativa do governo. Para a Opep, aceitar reajustes sem resolver gargalos de exportação pode apenas adiar um novo ponto de atrito; para o Iraque, a prioridade prática será transformar eventuais ganhos burocráticos em aumento real de embarques.