A ITA Airways anunciou que decidirá nas próximas seis a oito semanas se abre ação judicial contra a Pratt & Whitney, fornecedora de motores da RTX, após um defeito que deixou fora de serviço quase 20% de sua frota de 80 aeronaves A320neo. A companhia já calcula perdas significativas e afirma que as propostas iniciais da fabricante não cobrem os danos estimados.

O problema atinge uma versão do motor GTF e levou à paralisação — em vários mercados — de centenas de jatos A320neo. As filas para inspeção e reparo se alongaram após a identificação de um problema de fabricação, cenário que pressiona a disponibilidade operacional das empresas aéreas e eleva custos com manutenção, leasing e substituição temporária de rotas.

A ITA fala em cerca de €150 milhões em prejuízos já quantificados e diz negociar com a Pratt, que vem tomando medidas para acelerar reparos. A RTX não se manifestou imediatamente sobre a possibilidade de litígio. No plano econômico, o caso expõe vulnerabilidades na cadeia de fornecimento aeroespacial e impõe custos que podem repercutir em tarifas, contratos e resultados das companhias afetadas.

Além do impacto contábil, a disputa sinaliza risco reputacional para a fabricante e cria precedente jurídico sobre responsabilidade por falhas de componentes críticos. Para a ITA, a opção por processar será também uma estratégia para tentar recuperar perdas e forçar compensações — mas pode arrastar negociações, estender incertezas operacionais e aumentar o custo de capital em um setor já sensível a eficiência e previsibilidade.