O departamento de pesquisa macroeconômica do Itaú Unibanco revisou para cima sua projeção da taxa Selic no fim de 2026, para 13,25% (ante 13,00%). A mudança foi motivada pela nova deterioração do cenário inflacionário, segundo o relatório enviado a clientes, mesmo após o Copom ter cortado 0,25 ponto a Selic para 14,50% em sua decisão mais recente.
O banco também elevou a estimativa do IPCA para 2024, de 4,5% para 5,2%, citando leituras de curto prazo mais pressionadas — sobretudo por combustíveis — e uma inflação de alimentos mais alta, atribuída aos efeitos do El Niño e a menor oferta de leite. O balanço de riscos para 2026 permanece inclinado para cima, com reajustes adicionais de gasolina e diesel como principal ameaça.
Nas demais projeções, o Itaú manteve o crescimento do PIB em 1,9% e a taxa de desemprego em 5,7%, enquanto ajustou a expectativa para a taxa de câmbio de R$5,40 para R$5,15 por dólar. A combinação de inflação persistente e risco de novos choques de combustível torna plausível a manutenção de juros elevados por mais tempo do que o mercado havia precificado.
A sinalização do banco reforça um dilema político e econômico: o alívio imediato de um corte não elimina o risco de necessidade de juros mais altos adiante. Essa dinâmica tende a pressionar o custo da dívida pública, onerar crédito e aumentar o prêmio de risco para investimentos, reforçando a urgência de disciplina fiscal e de medidas que contenham vulnerabilidades à volatilidade de preços.