O Itaú Unibanco fechou, na noite de quinta-feira (17), a maior locação já registrada no mercado de escritórios brasileiro: as duas torres do complexo Esther Towers, na Avenida Chucri Zaidan, em São Paulo. O contrato com a incorporadora Eztec tem prazo inicial de dez anos, prorrogável por mais cinco, e representa uma receita de locação de R$ 1,17 bilhão para a companhia considerando os preços de fechamento apurados na data da assinatura. A intermediação envolveu CBRE (lado Eztec) e Binswanger Brazil (lado Itaú).
A operação ocupará 91,4 mil metros quadrados — o equivalente a cerca de 12 campos de futebol — e contempla aproximadamente 9.600 posições de trabalho. O banco justifica a movimentação pela necessidade de ampliar área física para acomodar o crescimento das atividades e a maior frequência do expediente presencial. Durante a pandemia o Itaú devolveu espaços e adotou home office; agora, a instituição vem revisando a política: funciona a partir de 2028 a exigência de presença mínima de três dias por semana para funcionários administrativos, enquanto superintendentes terão quatro dias desde janeiro de 2027, em linha com a diretriz já aplicada a diretores.
Do ponto de vista da incorporadora, a locação é um passo estratégico para monetizar o ativo antes da venda do empreendimento, conforme o cronograma divulgado pela Eztec. A primeira torre já recebeu Habite-se; a segunda deverá ser entregue no terceiro trimestre do próximo ano. O contrato prevê correção pelo IPCA e cláusulas de revisão conforme evolução do mercado, e a Eztec concedeu carências alinhadas ao mercado (de 6 a 12 meses). Fontes ouvidas pela imprensa apontaram que o aluguel pedido estava na faixa de R$ 120 a R$ 125 por m², com valor líquido próximo de R$ 106 por m² após descontos.
O acordo reforça uma tendência observada no setor financeiro de reavaliação do modelo de trabalho híbrido: outros bancos e fintechs, como o Nubank, também ampliaram ocupações de prédios depois da pandemia. Para o mercado imobiliário, a operação traz receita relevante e sinaliza demanda por escritórios de padrão corporativo; para as empresas, implica compromisso de custo fixo de longo prazo e exposição a cláusulas revisionais. Em suma, a locação do Esther Towers marca um movimento de retorno ao presencial com impacto concreto na rotina corporativa e no fluxo de caixa de incorporadoras e inquilinos.