O indicador IDAT‑Atividade, do Itaú, sinalizou novo enfraquecimento do consumo em junho: recuo de 1,7% ante maio, já dessazonalizado. Trata‑se da segunda queda mensal seguida e da maior intensidade desde março, após um início de ano mais dinâmico — março havia registrado alta de 1,7%, seguida de estabilidade em abril (-0,1%) e queda em maio (-1,4%).
A desaceleração foi disseminada. O componente de serviços caiu 2,2%, afetando alimentação fora do lar, hospedagem, lazer e serviços pessoais. Entre os bens, a atividade recuou 1,1% no mês, mas com comportamentos distintos: itens ligados à renda das famílias avançaram 0,5%, puxados por supermercados; já os segmentos mais dependentes de financiamento registraram queda de 3,1%.
O impacto mais visível chegou aos bens duráveis: veículos, motos e peças recuaram 4,0%, com perdas também em móveis, eletrodomésticos e equipamentos de informática — exatamente os setores mais sensíveis ao custo do crédito elevado. A retração apareceu em todas as regiões, com Sudeste e Sul entre as mais afetadas.
O padrão é consistente com um ambiente de juros altos e crédito mais restrito: primeiro diminuem as compras financiadas; em seguida, perde‑se dinamismo até entre serviços que vinham sustentando a atividade. Se confirmada pelos números oficiais do IBGE, a sequência tende a mostrar um segundo trimestre mais fraco — cenário que complica a narrativa de recuperação e pressiona autoridades por respostas sobre acesso ao crédito e medidas para preservar o poder de compra das famílias.