O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano, decisão que seguiu a expectativa majoritária do mercado. Em reação, o Itaú Unibanco trabalha com um cenário em que a taxa encerra 2024 em 13,75%, o que implicaria mais dois cortes de 0,25 ponto até dezembro, segundo Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do banco.

Para o economista do Itaú, a probabilidade de um novo corte já na próxima reunião é maior do que a de manutenção, mas a trajetória dependerá dos dados que chegarem nas próximas semanas. A instituição ressalta que, embora a diferença entre 13,75% e 14% seja pequena, o problema estrutural é outro: os juros devem ficar em patamar elevado por mais tempo, com impacto direto sobre investimento e consumo.

Gonçalves destacou ainda que o comunicado do Copom trouxe sinais contraditórios: elementos que apontam para riscos altistas — como aceleração da atividade e revisão da projeção de inflação — coexistem com leituras que podem abrir espaço à redução quando o horizonte relevante for rolado. A mensagem ambígua do comitê aumenta a importância da ata e das próximas comunicações para dirimir dúvidas sobre a função de reação do BC.

O cenário externo também limita o espaço para afrouxamento mais acelerado: o recuo do preço do petróleo alivia pressões inflacionárias, mas a postura mais rígida sinalizada pelo Federal Reserve e a elevada incerteza global justificam passos pequenos. Na avaliação do Itaú, sem uma convergência mais clara entre a política fiscal e a monetária, o Banco Central terá dificuldade para avançar cortes de forma consistente, o que implica custo econômico e político para o conjunto da economia.