A Itaúsa anunciou lucro líquido recorrente de R$ 4,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 7% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre o resultado chegou a R$ 8,8 bilhões, avanço anual de 12%. O desempenho foi largamente sustentado pela contribuição do Itaú Unibanco, que aportou R$ 4,468 bilhões ao trimestre, aumento de 8,5% em relação ao ano anterior.
Os investimentos não financeiros tiveram comportamento desigual. Alpargatas, Motiva e Copa Energia registraram avanços expressivos, mas ativos como Dexco, Aegea e NTS mostraram fragilidades: a Dexco caiu 74% na comparação anual e aportou apenas R$ 2 milhões; Aegea registrou perda de R$ 14 milhões; a NTS reverteu para saldo negativo de R$ 68 milhões. No agregado, o portfólio não financeiro gerou R$ 141 milhões, recuo de 26,7% ano a ano. As despesas administrativas da holding somaram R$ 45 milhões, alta de 7%.
Em relatório, o presidente Alfredo Setubal destacou que a queda gradual da Selic não elimina um ambiente ainda caracterizado por condições financeiras restritivas, cautela dos agentes e incerteza externa, e afirmou que a gestão segue focada em disciplina de alocação de capital. A leitura operacional é clara: o resultado positivo da holding permanece dependente da força do braço bancário, enquanto a diversificação oferecida pelos ativos industriais e de infraestrutura mostra-se mais volátil.
Do ponto de vista acionário e de governança financeira, o cenário impõe atenção. A concentração de resultados no setor financeiro reduz a margem de erro diante de choques macro; simultaneamente, perdas em ativos marcados a mercado (como NTS) e a deterioração em segmentos específicos (celulose solúvel e cerâmica, citados pela gestão) reforçam a necessidade de disciplina na alocação e monitoramento dos custos. Os próximos trimestres vão testar a capacidade da holding de converter recuperação de juros e melhora setorial em recuperação consistente do portfólio não financeiro.