Em debate na Fundação Dom Cabral, Aldemir Drummond definiu o momento como uma janela de oportunidade para o Brasil: a demanda global por descarbonização, alimentos e minerais estratégicos criou um contexto favorável para o país explorar suas vantagens comparativas.

O ponto central da argumentação é que aumentar apenas a extração e a exportação de commodities pode não bastar. Drummond defende avanço nas cadeias produtivas — refino, produção de ligas e fabricação de ímãs, no caso das terras raras — como caminho para capturar maior valor e distribuir ganhos.

A consequência de não agregar valor seria repetir um padrão histórico: riqueza concentrada, ganhos limitados em termos de emprego e salários, e menor impacto sobre a economia interna. Para converter potencial em desenvolvimento mais amplo serão necessários investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação.

O especialista reconhece gargalos práticos, como a escassez de mão de obra qualificada, mas também vê oportunidade: a própria demanda por novas etapas produtivas pode impulsionar formação profissional e inovação. Resta ao setor público e privado delinear uma estratégia coordenada para não deixar escapar a janela identificada.