O Ministério das Finanças do Japão informou nesta sexta-feira que o governo desembolsou 11,7349 trilhões de ienes — cerca de US$ 73,69 bilhões — em intervenções cambiais entre 28 de abril e 27 de maio. É a primeira atuação direta desde 2024 e o maior gasto registrado pelo país em um único mês, segundo os dados oficiais divulgados pelo ministério.
A intervenção ocorreu quando o iene se aproximou da faixa de 160 por dólar, nível que as autoridades passaram a defender com mais intensidade. Segundo operadores, a combinação da demanda por dólar como porto seguro, diante das tensões no Oriente Médio, e a expectativa de que o Federal Reserve mantenha uma postura de alta ou de juros mais elevados reduziu o apetite pelo iene e pressionou a moeda japonesa.
O desembolso recorde acende um alerta: defender uma taxa de câmbio exige recursos significativos e expõe o governo a decisões difíceis sobre até onde sustentar o patamar desejado. A cifra reforça a percepção de que as autoridades estão dispostas a intervir para conter movimentos abruptos, mas também reabre o debate sobre a sustentabilidade e eficácia dessas operações se os fundamentos externos — geopolítica e diferencial de juros — seguirem favorecendo o dólar.
No curto prazo, a atuação tende a reduzir a volatilidade e a enviar sinal claro ao mercado de que 160 é um referencial defendido. No entanto, a repetição de intervenções em larga escala pode ter custo político e econômico, forçando escolhas entre aceitar um iene mais fraco, que beneficia exportadores, ou manter gasto público elevado para proteger o poder de compra e controlar pressões inflacionárias advindas de importações mais caras.