O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão informou que liberará, a partir de 1º de maio, o segundo lote de reservas nacionais de petróleo bruto: 5,8 milhões de kilolitros, o equivalente a cerca de 36,48 milhões de barris. O óleo será repassado às refinarias Eneos, Idemitsu Kosan, Cosmo Oil e Taiyo Oil a partir de dez bases de armazenamento espalhadas pelo país; o lote foi estimado em cerca de 540 bilhões de ienes (US$ 3,38 bilhões).
A movimentação ocorre paralelamente a uma mudança logística: Tóquio vem adquirindo petróleo por rotas que evitam o Estreito de Ormuz, afetado desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Dados da Kpler indicam que o Japão deve receber cerca de 9,2 milhões de barris dos EUA em maio. Antes do conflito no Oriente Médio, o país importou 74,15 milhões de barris em fevereiro, segundo a Joint Organizations Data Initiative.
Do ponto de vista econômico e de segurança, a liberação busca aliviar riscos imediatos de abastecimento e reduzir pressão sobre o mercado doméstico de combustíveis. Mas a medida também tem custo político e estratégico: usar reservas públicas diminui a folga do estoque estratégico e expõe o governo a críticas caso o conflito se amplie. A administração afirma ter garantido suprimento além do fim de 2026, declaração que tende a ser cobrada diante da continuidade das tensões.
No curto prazo, a manobra deve conter volatilidade local e evitar choques de oferta; na média, acende o debate sobre diversificação de rotas, dependência de parceiros como os EUA e o custo logístico de evitar o Estreito de Ormuz. Para o governo, restam duas tarefas: justificar a estratégia perante a opinião pública e acelerar ajustes para reduzir vulnerabilidades que podem pesar fiscal e politicamente.