A Johnson & Johnson anunciou nesta terça-feira resultados do primeiro trimestre de 2026 que superaram as expectativas do mercado: receita de US$ 24,1 bilhões e lucro ajustado por ação de US$ 2,70, levemente acima das estimativas consensuais. A reação do mercado foi contida, mas analistas destacaram que a empresa vem conseguindo mitigar o efeito da perda de exclusividade de um de seus maiores ativos.
O desempenho favorable foi puxado por duas frentes: o tratamento para câncer de sangue Darzalex, que somou cerca de US$ 4 bilhões no trimestre, e o Tremfya, indicado para psoríase e doenças inflamatórias, com vendas de aproximadamente US$ 1,6 bilhão — bem acima das projeções. Em contrapartida, o Stelara, antes responsável por mais de US$ 10 bilhões anuais, registrou queda de cerca de 60% nas vendas, ficando em US$ 656 milhões, após a entrada de biossimilares no mercado. A companhia aponta que parte dos pacientes migrou para outras terapias, como Tremfya, ajudando a compensar o recuo.
A empresa elevou de forma modesta suas projeções para 2026, com novo ponto médio de receita em torno de US$ 100,8 bilhões e lucro ajustado de US$ 11,55 por ação — números praticamente alinhados às expectativas de Wall Street. Analistas classificaram a revisão como cautelosa, ainda que positiva, sinalizando que a companhia já começou a transformar ganhos pontuais em recuperação mais sustentável do portfólio principal.
Do ponto de vista estratégico e político, subsistem riscos que podem limitar a trajetória de ganhos. A J&J prevê impacto de rodadas de compras em grande volume na China ao longo do ano, um programa que tende a pressionar preços; além disso, a empresa fez acordos ligados ao princípio de nação mais favorecida nos EUA e se posicionou contra a codificação dessa regra no Legislativo, alegando que medidas robustas de controle de preços podem reduzir acesso e inovação. Em suma, a farmacêutica mostra resiliência operacional, mas enfrenta um nó estrutural: compensar blocos de receita perdidos por biossimilares ao mesmo tempo em que navega maior escrutínio e potencial compressão de margens em mercados-chave.