Uma ampla sondagem encomendada pelo Parlamento Europeu a 26.453 pessoas nos 27 Estados-membros revela um padrão claro: a faixa etária entre 15 e 30 anos é a mais favorável ao bloco. Nesse grupo, 58% têm imagem positiva da UE, contra 49% e 43% nas faixas etárias superiores. Os jovens também demonstram ambição política — 90% defendem maior unidade entre países, 78% apoiam mais recursos para o bloco e 87% querem uma voz externa mais robusta para Bruxelas.
Os números traduzem-se em efeito concreto nas urnas. Pesquisa do Centro de Pesquisa 21, da Hungria, aponta que 65% dos eleitores com menos de 30 anos votaram em Peter Magyar na eleição de domingo (12), uma coalizão que derrotou o discurso eurocético e pró-Rússia de Viktor Orbán. A combinação entre preferência pró-UE entre os mais jovens e sua capacidade de mobilização explica por que uma fatia demográfica emergente pode alterar equações políticas nacionais até então dominadas por eleitores mais velhos e desconfiados de Bruxelas.
O levantamento também reordena prioridades: conflitos globais (72%), terrorismo (67%) e desastres ambientais ligados às mudanças climáticas (66%) lideram as preocupações, seguidos por ciberataques (66%) e migração (65%). Entre as áreas apontadas como cruciais para reforçar a posição europeia estão defesa e segurança (40%), competitividade e avanços industriais (32%) e independência energética e infraestrutura (29%). Esses dados foram divulgados pouco antes da escalada no Oriente Médio em fevereiro, evento que elevou tensões estratégicas e pressionou preços de energia — realidades que dão peso político às demandas por maior integração e gastos conjuntos.
A consequência política é dupla. Para Bruxelas, o respaldo juvenil confere legitimidade a propostas de maior coordenação em defesa, energia e política industrial, mas impõe um dilema fiscal: financiar ambição estratégica sem descuidar da disciplina orçamentária que setores conservadores e liberais defendem. No nível doméstico, a vitória húngara mostra que partidos e governos que ignoram a nova centralidade do eleitorado jovem correm risco de perder hegemonia. Em suma, o futuro da integração europeia vem acompanhado de pressão por respostas concretas em segurança e economia — e por escolhas difíceis sobre prioridades fiscais e competitivas.