O JPMorgan elevou a recomendação para as ações da Tesla de “underweight” para “neutro” na sexta‑feira (5), num movimento que sinaliza mudança na leitura do mercado sobre os motores de valorização da montadora. Os analistas liderados por Rajat Gupta, que assumiram a cobertura recentemente, subiram o preço‑alvo de US$ 145 para US$ 475 e destacaram que parte importante do prêmio já não vem apenas da venda de veículos a curto prazo.
Na avaliação do banco, a valorização da Tesla tem sido cada vez mais impulsionada por negócios de direção autônoma, robótica, chips de IA e serviços de software — frentes que, na visão dos analistas, podem redefinir o perfil de lucros da empresa na próxima década. O JPMorgan ressalta também a integração vertical entre hardware e software como vantagem competitiva ainda subestimada pelo mercado.
Os números projetados pela corretora ilustram esse otimismo: o EPS estimado teria “início de virada” após 2028, com lucro por ação caminhando de cerca de US$ 1,95 em 2026 para aproximadamente US$ 7,50 em 2030. Ao mesmo tempo, a Tesla reportou um EPS ajustado de US$ 0,41 no primeiro trimestre de 2026, lembrando que a transição dependerá de execução técnica e comercial consistente.
O ajuste do JPMorgan ocorre num contexto em que Elon Musk amplia seus empreendimentos — incluindo a abertura de capital da SpaceX, com avaliação projetada em torno de US$ 1,7 trilhão e estreia prevista para 12 de junho — o que reforça a narrativa de que investidores precificam opções futuras. Resta ver se os marcos de produto e resultados trimestrais confirmarão essa premissa; até lá, a tese gera ganhos potenciais, mas também aumenta a exposição dos investidores ao risco de execução e tempo.