Apesar do avanço da renda e do pleno emprego, o ambiente macroeconômico segue desfavorável ao consumidor: juros elevados e crédito restrito vêm reduzindo o poder de compra e freando o ritmo das vendas. Levantamentos do Ibevar e da FIA apontam que o varejo ampliado deve cair 1,59% em relação ao primeiro trimestre e ter leve recuo de 0,09% frente ao mesmo período de 2025, sinal de que a demanda vacila mesmo com indicadores do mercado de trabalho mais confortáveis.
O diagnóstico se repete no varejo restrito e nos serviços. No agregado, o desempenho aparente de estabilidade esconde uma deterioração: de 32 segmentos de serviços analisados, 22 apresentam projeção de retração — um enfraquecimento disseminado da demanda que tende a reduzir a capacidade de repasse de preços e a apertar margens.
A consequência operacional já aparece nos balanços: o número de empresas inadimplentes cresceu 12,65% nos 12 meses até fevereiro, segundo o SPC Brasil. O serviço concentra cerca de 39% das empresas em atraso, com crescimento próximo a 8% em relação a fevereiro de 2025. O aumento da inadimplência do consumidor pressiona o fluxo de caixa das empresas e amplia o risco de novas dificuldades financeiras no curto prazo.
Especialistas recomendam gestão rígida de caixa, monitoramento da carteira e maior eficiência operacional. Para além das medidas corporativas, o quadro expõe uma contradição para a política econômica: a recuperação do emprego e da renda convive com uma política de crédito e juros que restringe consumo, encurtando o espaço para crescimento do varejo e aumentando a vulnerabilidade de empresas, sobretudo nos serviços.