As taxas negociadas no mercado futuro registraram alta discreta na manhã desta sexta-feira (14), com os vértices intermediários e longos puxando a curva para cima. Em momentos do pregão, pontos mais longos chegaram a subir cerca de 10 pontos-base. O movimento acompanha o dólar em alta e o recuo da Bolsa, refletindo piora na percepção de risco doméstico.

Às 11h38, o DI com vencimento em janeiro de 2027 operava em 13,755% (ante 13,746% no ajuste anterior). O contrato para janeiro de 2029 marcou 14,32% na máxima do dia (14,25% no ajuste anterior) e o DI de janeiro de 2031 estava em 14,61% (contra 14,51%). Esses deslocamentos mostram aumento do prêmio de prazo exigido pelos investidores.

Para o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, o mercado vem precificando um resultado eleitoral que preserva espaço para política fiscal expansionista, o que tem elevado a incerteza sobre o controle de gastos. A análise implica expectativa de juros mantidos em patamar elevado por mais tempo. A adesão brasileira à reciprocidade diante de sanções dos EUA é vista por Velho como um fator que agrava o risco, mas não o principal vetor da precificação.

Na prática, a combinação de calendário eleitoral e dúvidas fiscais tende a elevar o custo de financiamento do país, pressionar despesas com juros e reduzir margem para manobras econômicas. Sem sinais claros de ajuste ou compromisso com regras fiscais, o mercado pode exigir prêmio maior, encarecendo crédito para famílias e empresas e cobrando preço político na arena de 2026.