A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, disse no Inter Invest Summit em Belo Horizonte que a principal barreira para a queda dos juros no Brasil é o perfil fiscal expansionista dos últimos anos. Segundo ela, a credibilidade e o conteúdo concreto de um programa fiscal são o que permitirão ao Banco Central acelerar o processo de cortes na Selic, hoje em patamar ainda alto que pesa sobre crédito e dívida das famílias.

Vitória lembrou que a Selic começou o ano em 15% e já passou por recuos — está em 13,75% —, mas que o ritmo segue lento enquanto persistirem sinais de afrouxamento fiscal. Para a economista, esse quadro favorece investidores em renda fixa no curto prazo, mas gera problemas no acesso ao crédito e no endividamento das famílias, que só terão alívio consistente se a política fiscal ganhar mais visibilidade e compromisso.

O ambiente eleitoral adiciona volatilidade e empurra o debate fiscal para os bastidores das campanhas, na visão da economista. O mercado, avalia Vitória, está dividido: há expectativa de que uma alternativa oposicionista possa oferecer um ajuste mais rápido e, assim, abrir caminho para cortes mais robustos; por outro lado, uma reeleição tende a promover uma correção mais gradual, ainda que possível. Em ambos os cenários, porém, a retomada da discussão fiscal aparece como condição para reduzir a taxa de juros em ritmo maior.

Do ponto de vista prático, a mensagem é clara para o poder público: sem sinalização fiscal convincente, o BC terá menos espaço para acelerar a redução da Selic, mantendo custos maiores para famílias e empresas. Para o mercado, a lição é política e econômica ao mesmo tempo — a definição e a credibilidade do ajuste fiscal pós-eleições serão cruciais para determinar a velocidade de queda dos juros e o alívio no crédito.