O elevado patamar da taxa de juros no Brasil tem impacto direto na gestão cotidiana das empresas e reduz o apetite por novos projetos, avalia Priscila Grecco, CFO da Itaúsa. Em entrevista, a executiva destacou que o custo de oportunidade e a comparação com aplicações de renda fixa tornam mais difícil justificar investimentos de maior risco.

O efeito prático, segundo a dirigente, é uma demanda por maior rigor na alocação de capital: prioridades são revistas, prazos alongados e propostas submetidas a cálculos mais severos de retorno. Para as companhias, isso significa adiamento de modernização, menor volume de projetos de expansão e pressão sobre o ritmo de contratação e produtividade.

Na visão da Itaúsa, contudo, o portfólio segue resiliente. A empresa tem mantido consistência nas alocações e destacado resultados recentes como sinal de capacidade de adaptação a um ambiente macroeconômico mais adverso. Ainda assim, a própria executiva reconhece que viabilizar investimentos estratégicos ficou mais difícil em condições de juros elevados.

O diagnóstico acende um alerta para a recuperação do investimento privado e para o crescimento do país: se empresas postergarem decisões por longo prazo, o efeito sobre a atividade econômica e o mercado de trabalho pode ser relevante. Para além das escolhas corporativas, o cenário reitera a necessidade de políticas que reduzam o custo do capital e estimulem a retomada sustentável.