As taxas dos DIs fecharam a sessão desta quarta-feira em baixa consistente após a divulgação da pesquisa Quaest, que mostrou empate técnico no segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (42%) e Flávio Bolsonaro (41%), com margem de erro de dois pontos percentuais. No fim do pregão, o DI para janeiro de 2028 marcou 13,675% (-8 pontos-base em relação ao ajuste anterior) e o contrato de janeiro de 2035 caiu para 14,385% (-13 pontos-base). Dólar e Bolsa também reagiram positivamente, com o Ibovespa renovando máximas.
Pela manhã, números fracos da indústria reforçaram o viés de baixa nas taxas: a produção industrial cresceu apenas 0,2% na passagem de junho para julho e recuou 0,5% na comparação anual, resultados abaixo das expectativas de analistas. O conjunto de sinais convergiu para a percepção de desaceleração da economia e elevou a probabilidade precificada de cortes na Selic no curto prazo.
No mercado, a curva passou a cotar praticamente 100% de chance de um corte de 25 pontos-base em setembro e cerca de 60% de probabilidade de novo afrouxamento em novembro. Estrategistas dizem manter atenção ao calendário eleitoral: notícias que reduzam o temor de um descontrole fiscal tendem a baixar o prêmio de risco, enquanto sinais de maior gasto público podem inverter esse movimento.
Além do termômetro econômico, operadores monitoram desdobramentos políticos e institucionais — incluindo episódios que envolvem ministros e figuras do sistema financeiro — como potenciais variáveis capazes de alterar as expectativas. Para candidatos e governo, o recuo dos juros manda um recado claro: a percepção de risco fiscal continua sendo determinante para a trajetória das taxas e para o custo da política econômica no horizonte eleitoral.