Os juros futuros fecharam em queda nesta segunda-feira, refletindo tanto fatores externos quanto sinais internos de avanço na precificação eleitoral. O DI para janeiro de 2028 marcou 13,515%, recuando 11 pontos-base em relação ao ajuste anterior, enquanto o DI de janeiro de 2035 caiu 15 pontos-base, para 14,01%.
No exterior, maior otimismo em torno de uma possível trégua entre EUA e Irã durante a reunião da ONU e a queda do petróleo Brent para perto de US$100 o barril contribuíram para o movimento. Às 16h32, o Treasury de dez anos registrava baixa de 4 pontos-base, a 4,955%, e os principais índices de Nova York avançavam — cenário que ajudou a aliviar prêmios de risco no Brasil.
No mercado doméstico, o recuo das taxas também dialogou com a pesquisa BTG/Nexus divulgada no início do dia, que coloca Luiz Inácio Lula da Silva com 46% e Flávio Bolsonaro com 45% em hipótese de segundo turno, empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos. A dinâmica eleitoral recente — acentuada por apostas em mercados de predição — segue influenciando o chamado “trade eleitoral”, que tem beneficiado Ibovespa e pressionado dólar e taxas.
Além disso, o boletim Focus reduziu a mediana da Selic esperada para o fim de 2026, de 13,75% para 13,50%, o que pressupõe em mercado mais um corte de 25 pontos-base neste ano; a projeção para 2027 ficou em 12,00%. Investidores aguardam agora a ata da última reunião do Banco Central em busca de pistas sobre o ritmo de política monetária. A combinação entre choques externos e incerteza política mantém o mercado sensível: pesquisas perto do empate acendem alerta e complicam o cálculo de risco para taxas e finanças públicas.