As taxas dos DIs de curto prazo fecharam em queda nesta terça-feira, com o contrato para janeiro de 2028 a 13,39% — recuo de 12 pontos‑base em relação ao ajuste da véspera. A ponta longa registrou leve alta: o DI para janeiro de 2035 subiu 2 pontos‑base, para 13,45%. O movimento traduziu maior apetite por risco global após notícias de possível retomada de conversas entre EUA e Irã.
Fontes envolvidas nas negociações indicaram que uma data ainda não foi definida, mas que as conversas podem recomeçar ainda esta semana. A perspectiva de redução de tensões internacionais reforçou fluxo para ativos de países emergentes e ajudou a puxar para baixo as taxas de curto prazo no Brasil. Nos EUA, dados de preços ao produtor mais fracos também pesaram, com rendimentos dos Treasuries perdendo força durante a sessão.
No plano doméstico, o IBGE divulgou que o volume de serviços cresceu apenas 0,1% em fevereiro ante janeiro — abaixo da mediana de mercado de 0,5% — e avançou 0,5% na comparação anual, contra expectativa de 1,7%. Operadores e economistas viram na sequência fraca dos serviços margem para uma leitura mais favorável a cortes na Selic, ainda que a leitura do Banco Central deva permanecer prudente diante do contexto externo.
O mercado já reflete mudança na precificação de política monetária: opções do Copom negociadas na B3 atribuíam 69% de probabilidade a um corte de 0,25 ponto em abril, frente a 15% para uma redução de 0,5 ponto. No plano político, a pesquisa CNT/MDA — com Lula à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno — entra no radar dos investidores por eventuais implicações fiscais e de governabilidade, sem, no entanto, alterar imediatamente os sinais enviados pela curva de juros.