Em entrevista à CNN Brasil, o CEO da JBS, Gilberto Tomazoni, classificou o patamar atual da taxa básica de juros como o principal desafio para o ambiente de negócios no país. Para o executivo, a trajetória dos juros está vinculada à capacidade do governo de enfrentar o déficit fiscal e de oferecer previsibilidade às regras econômicas, sinais que as empresas consideram centrais na hora de investir.

Tomazoni destacou que, diante de um cenário global volátil — intensificado pelos conflitos no Oriente Médio —, companhias precisam se adaptar constantemente ao balanço entre otimismo e cautela dos investidores. Juros elevados encarecem financiamento, pressionam custos operacionais e tendem a frear projetos de expansão, criando um ambiente menos favorável ao crescimento e à geração de emprego.

O CEO também comentou uma mudança de paradigma no comércio internacional, com retorno a práticas mais protecionistas em diferentes regiões. Segundo ele, a JBS reduz o impacto dessas barreiras por operar em várias geografias, o que permite ajustar fluxos comerciais conforme condições locais. Para as empresas que dependem mais do mercado doméstico, porém, o aumento de barreiras pode representar maior custo e risco competitivo.

O diagnóstico tem implicações políticas claras: sem um ajuste fiscal crível e sinais de previsibilidade, a economia seguirá com juros persistentes e menor atratividade para investimento privado. Para o setor empresarial, isso significa custos maiores e necessidade de adaptação; para o governo, a mensagem é de pressão por medidas que reduzam o déficit e restaurarem confiança no horizonte econômico. Tomazoni concluiu que, independentemente de barreiras e acordos, a JBS manterá alternativas para exportar seus produtos.