Quase metade das pequenas e médias empresas brasileiras sente o aperto nos resultados. Levantamento da Serasa Experian divulgado nesta quarta aponta que 47% das PMEs classificam a pressão de custos como alta ou muito alta nos últimos 12 meses. O cenário convive com a Selic em 14,75% após o primeiro corte do Copom em março, mas o patamar ainda é elevado.
A pesquisa mostra também impacto direto na lucratividade: 49% das empresas reportam redução de margem — 26% com recuo significativo e 23% com perda parcial. Apenas 14,7% conseguiram ampliar margem por meio do repasse de preços, sinalizando limitação na transmissão dos aumentos para o consumidor final e pressão por competitividade e demanda contida.
Os principais vetores dessa pressão são despesas operacionais: alta em insumos, folha de pagamento, tributos e aluguel comprimem o caixa. Na análise da Serasa, o custo do crédito e as barreiras para acesso a capital de giro reduzem a capacidade de as pequenas firmas absorverem choques ou de retomarem investimentos, agravando vulnerabilidade de empresas sem escala.
Do ponto de vista político-econômico, o resultado reforça um nó estrutural: cortes pontuais na taxa básica ajudam, mas não bastam enquanto o custo real do financiamento e a carga sobre a atividade empresarial permanecerem altos. O quadro exige medidas concretas de alívio ao capital de giro, simplificação e eventual desoneração setorial para evitar mais compressão de margens, queda de investimento e maior fragilidade do setor.