O CFO do BMG, Carlos André da Silva, afirmou no Fórum CEO Brasil que o atual patamar de juros é um dos motores da escalada da inadimplência no país, pressionando tanto empresas quanto famílias. Segundo o executivo, o custo elevado do crédito torna mais difícil produzir, vender e honrar financiamentos, contribuindo para um número recorde de pedidos de recuperação judicial.
Para as pessoas físicas, Carlos André descreveu um ciclo vicioso: salários comprimidos levam famílias a recorrerem ao crédito para objetivos básicos, mas o alto custo do financiamento aperta o orçamento e empurra parcelas para atraso. No entendimento do banco, isso exige do setor financeiro soluções para mitigar o impacto e preservar a capacidade de pagamento dos clientes.
Na ponta do mercado, o executivo apontou a inteligência artificial como a próxima fronteira para melhorar relacionamento e adequação de produtos. Segundo ele, ferramentas de IA podem ajudar clientes a escolherem opções mais ajustadas ao perfil e reduzir risco de inadimplência ao simplificar processos e personalizar ofertas.
Além das medidas privadas, Carlos André chamou atenção para um fator fiscal: a necessidade de ajustar a gestão de custos públicos. Ele avaliou que uma máquina pública onerosa mantém a taxa de juros elevada e dificulta a recuperação econômica — observação que acende alerta sobre o custo político e econômico da falta de disciplina fiscal rumo a 2027. O comentário foi feito durante a 9ª edição do Fórum CEO Brasil, que reunirá mais de 200 lideranças em setembro de 2026.