As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sessão de sexta com queda firme, em torno de 17–19 pontos-base em vencimentos relevantes. O DI para janeiro de 2028 fechou em 13,85% (-19 pb ante 14,04%), enquanto o DI para janeiro de 2035 marcou 14,265% (-17 pb ante 14,431%). Na semana, as baixas acumuladas chegaram a 25 e 14 pontos-base, respectivamente.
O movimento foi provocado pelo IPCA de junho, divulgado pelo IBGE, que subiu 0,16% no mês — abaixo dos 0,31% projetados e dos 0,58% de maio — e levou a inflação em 12 meses a 4,64% (projeção de 4,80%). A abertura dos números mostrou desaceleração em serviços (de 0,40% para 0,34%), em bens industriais (de 0,32% para 0,11%) e nos núcleos acompanhados pelo BC (média de 0,45% para 0,21%). Em contrapartida, serviços intensivos em mão de obra aceleraram (de 0,50% para 0,55%).
Analistas destacaram que o resultado alivia a pressão inflacionária de curto prazo e reforça a precificação de um corte de 25 pontos-base da Selic no início de agosto. As opções de Copom negociadas na B3 indicavam cerca de 72% de chance desse corte, contra 26,9% de manutenção; três semanas antes o cenário era o inverso. Consultorias afirmam, porém, que a dinâmica de alimentos e petróleo seguirá determinando a extensão do ciclo de afrouxamento.
O recuo doméstico ocorreu apesar de um movimento de alta nos yields externos — com o Treasury de 10 anos em leve alta — e de um petróleo Brent acomodado perto de US$76 o barril, em meio a tensões no Oriente Médio. Em suma: o BC ganhou espaço para reduzir juros, mas a leitura dos núcleos e a volatilidade externa impõem cautela; próximos dados serão decisivos para consolidar o novo patamar monetário e para a recalibração de cenários por investidores e pelo próprio governo.