As taxas dos DIs fecharam em queda na segunda-feira, acompanhando o alívio nos mercados globais após a suspensão temporária dos ataques entre Estados Unidos e Irã. O DI janeiro/2028 recuou para 14,03% ante 14,167% na sessão anterior; na ponta longa, o DI janeiro/2035 marcou 14,675% ante 14,703%. O petróleo Brent caiu 8,7%, para US$88,36 o barril, e o rendimento do Treasury de 10 anos cedeu quatro pontos-base, a 4,639%.
A correção nas curvas de juros futuros foi interpretada por gestores como resposta direta à redução do risco geopolítico: quando a percepção de conflito arrefece, prêmios de risco e expectativas de taxa ajustam-se para baixo. Esse movimento elevou o apetite por ativos locais e reduziu temporariamente a pressão sobre as taxas de longo prazo.
No plano doméstico, a pesquisa Focus do Banco Central trouxe nuances. A expectativa de alta do IPCA em 2026 caiu a 5,12% (de 5,15%), mas as projeções para o próximo ano e para 2028 subiram 0,02 ponto, para 4,22% e 3,80%, respectivamente. O mercado segue apostando em um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião da próxima semana, com a taxa terminando o ano em 14,00% e previsões para 2027 em 12,0%.
O recuo das taxas domésticas reforça a narrativa de que condições externas mais benignas podem abrir espaço para afrouxamento monetário. Ainda assim, a sinalização é frágil: a leitura do IPCA-15 de julho e a decisão de juros do Federal Reserve, ambos na semana, podem inverter o humor. Para o BC, o desafio segue sendo conciliar a pressão por queda da Selic com a necessidade de comprovar que a desaceleração inflacionária é consistente e duradoura.