As taxas dos DIs — os juros futuros negociados no mercado — registraram uma alta abrupta na manhã seguinte à confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro. Às 9h58, o DI para janeiro de 2028 subia para 14,915%, alta de 206 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 12,859%. No trecho longo da curva, o DI para janeiro de 2035 saltou para 15,375%, avanço de 263 pontos-base frente aos 12,745% do fechamento anterior. O movimento reflete um ajuste imediato de precificação pelo conjunto de investidores que, em sua maioria, estava posicionado para outro desfecho eleitoral.
O mercado havia reagido com entusiasmo ao desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno: naquele momento o DI para janeiro de 2035 chegou a ceder mais de 130 pontos-base em resposta à perspectiva de um ajuste fiscal mais agressivo. Com a vitória de Lula, esse ganho evaporou rapidamente. Consultorias e profissionais já sinalizavam a expectativa de um forte avanço das taxas na segunda-feira, em especial nos vencimentos mais longos, que incorporam avaliação sobre a trajetória da política fiscal e do equilíbrio das contas públicas.
Além da própria correção nas taxas, a reação operacional foi imediata. A B3 informou que elevou os limites de alta das taxas dos DIs em todos os vencimentos para acomodar a volatilidade. O Tesouro Nacional cancelou o leilão de títulos indexados à inflação previsto para terça-feira e também o leilão de papéis prefixados marcado para quinta-feira, mantendo apenas o leilão de LFTs atreladas à Selic. Segundo o próprio Tesouro, a decisão visa evitar estímulo a preços ainda mais elevados nos mercados de títulos e de DI — uma tentativa de mitigar o custo financeiro imediato do ajuste.
O salto nas taxas tem efeitos claros: encarece o serviço da dívida e pressiona o custo do financiamento do setor público, ao mesmo tempo em que complica o ambiente para negociações futuras sobre gasto público e reformas. Politicamente, os números acendem alerta para a nova etapa de governo: a vitória eleitoral não eliminou a necessidade de convencer os investidores sobre a disciplina fiscal. Em vez de previsões definitivas, o episódio mostra um retrato do momento — um mercado reprecificando riscos e exigindo respostas rápidas do Tesouro e do governo eleito para restaurar confiança e acalmar a curva de juros.