As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam a sexta-feira majoritariamente em alta, embaladas pelo aperto de linguagem do Fed. No fechamento, o DI para janeiro de 2028 marcou 13,805%, alta de 4 pontos-base ante 13,765%, enquanto a ponta longa também avançou: o DI para janeiro de 2035 foi a 14,61%, alta de 13 pontos-base frente aos níveis anteriores.
O principal gatilho externo foi o discurso inaugural de Kevin Warsh em Jackson Hole, que reforçou um tom mais rigoroso do banco central dos EUA sobre a inflação. Em reação, os rendimentos dos Treasuries subiram com força — o título de dois anos bateu cerca de 4,35% e o de dez anos superou 4,72% — e as probabilidades precificadas de alta na reunião de setembro aumentaram substancialmente, segundo a ferramenta CME FedWatch.
No mercado doméstico, porém, um vazamento antecipado dos dados do Caged alterou a dinâmica intradia. O cadastro mostrou geração de 58.568 vagas formais em julho, bem abaixo dos cerca de 112 mil esperados pelos analistas. A surpresa negativa cortou os ganhos dos DIs de curto prazo durante a tarde, reacendendo a leitura de que o Banco Central poderá ter espaço para reduzir a Selic — hoje em 14% — no horizonte próximo.
O resultado é uma curva com tensão: prazos longos puxados pela alta global dos rendimentos e prazos curtos mais sensíveis a sinais domésticos de enfraquecimento do emprego. Além do efeito imediato sobre preços de ativos, o episódio expõe uma dissonância entre a trajetória de política monetária global e a evolução do mercado de trabalho brasileiro. Para investidores e formuladores, fica o desafio de conciliar cortes esperados localmente com o risco de aperto internacional, além da necessidade de fluxo informacional mais ordenado para evitar movimentos abruptos no mercado.