As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de prazo mais longo fecharam a sexta-feira em leve recuo, apesar da alta dos rendimentos dos Treasuries no exterior. O DI para janeiro de 2028 ficou em 13,62%, praticamente estável ante o ajuste anterior (13,617%), enquanto o DI para janeiro de 2035 terminou a 14,145%, cinco pontos-base abaixo do fechamento anterior.
Pela manhã houve forte avanço das taxas locais em sintonia com a alta do Treasury de dez anos, que chegou a 5,004% (+6 pontos-base às 16h31), mas parte dos investidores optou por realizar lucros após o pico: a taxa do DI 2035 alcançou 14,255% às 9h41 antes de recuar até patamares próximos de 14,135% em momentos da tarde. Operadores atribuem parte do movimento a certo "exagero" no avanço dos prêmios pela manhã.
Houve certo "exagero" pela manhã no avanço dos prêmios no Brasil, o que levou investidores a realizar lucros à tarde.
No front doméstico, a agenda política continuou a permear os negócios. A nova pesquisa do Datafolha mostrou estabilidade no segundo turno — Lula 46% e Flávio 44% — reduzindo a intensidade do 'trade eleitoral' que vinha favorecendo ativos pró-reforma. Além disso, o anúncio do reajuste do Bolsa Família, com impacto fiscal estimado em R$ 5,8 bilhões este ano e US$ 22 bilhões no próximo, mantém o mercado atento ao risco fiscal e às implicações para inflação e trajetória de juros.
Externamente, o aperto monetário persistente em economias desenvolvidas (após nova alta do Fed e o aumento da taxa do BoJ para 1,25%, maior nível em 32 anos) sustentou os rendimentos globais, mas a combinação de cenário eleitoral relativamente estável, agenda econômica esvaziada e fluxo de realização fez com que a curva brasileira ficasse mais acomodada ao final do dia.