As taxas dos contratos DI fecharam a sessão desta sexta-feira em alta, numa semana marcada pelo ajuste de posições após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. O DI para janeiro de 2028 subiu para 14,50%, alta de 13 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,366%; o DI para janeiro de 2035 chegou a 15,33%, avanço de 10 pontos-base sobre 15,234%.
No acumulado da semana pós-segundo turno, alguns vencimentos registraram elevações superiores a 250 pontos-base — especificamente 164 e 259 pontos-base nos prazos citados — uma reação à surpresa com o resultado eleitoral e ao aumento da percepção de risco fiscal.
O problema fiscal é muito grave e precisa ser enfrentado pelo governo sob pena de um grande desarranjo macroeconômico, nosso maior temor
Investidores aguardam agora indicações para cargos-chave, como o Ministério da Fazenda, e detalhes sobre a política fiscal do próximo mandato. O mercado vê a necessidade de ajuste nas contas públicas como peça central para controlar a inflação e viabilizar queda sustentada dos juros.
Os dados fiscais reforçam a apreensão: o setor público consolidado registrou déficit nominal de R$ 113,0 bilhões em setembro; em 12 meses até setembro, o déficit nominal soma R$ 1,275 trilhão, ou 9,51% do PIB. No plano econômico real, o IBGE apontou desemprego de 5,2% no 3º trimestre e rendimento habitual em R$ 3.790, estável na comparação trimestral.